Diversidade e representatividade: presença de mulheres no setor público é tema de encontro realizado na Casa Civil

“A diferença pode levar à diversidade. Nós não queremos a diferença levando para a desigualdade. Nós queremos a diferença aberta, onde há lugar para todo mundo”. A fala da assessora especial de Acolhimento aos Movimentos Sociais do Ceará, Zelma Madeira, dá o tom do bate-papo promovido pela Casa Civil do Ceará na manhã desta terça-feira (8), sobre Mulheres no Setor Público.

Com foco no público interno, o encontro contou com participação também da assessora especial do governador, Janaína Farias; e da secretária executiva da Casa Civil, Carmen Cavalcante; com mediação da coordenadora-geral do Íris | Laboratório de Inovação e Dados do Governo, Jessika Moreira.

A construção da gestão pública com foco no cidadão tem a representatividade como importante direcionamento. Na celebração do Dia Internacional das Mulheres da Casa Civil, a presença feminina no governo, especialmente em cargos de liderança, foi apresentada como um forte fator inspiracional, além de trazer diferentes perspectivas para as mesas de tomada de decisão.

Nesse contexto, o Ceará sai à frente com a atuação inspiradora da vice-governadora Izolda Cela, bem como de secretárias que ocupam cargos historicamente destinados aos homens, como é o caso da secretária da Fazenda do Ceará, Fernanda Pacobahyba. No Brasil, somente três estados têm lideranças femininas no alto escalão nas pastas estaduais de Planejamento, Orçamento, Finanças ou Fazenda, segundo dados de 2020 da Análise do Centro de Liderança Pública.

A assessora especial do governador, Janaína Farias, é mais um exemplo da forte atuação feminina em cargos da alta gestão. “Estar onde eu estou hoje é gratificante. Dizer que faço parte dessa gestão, da política, mas aquela política pública pensando no outro. Está encerrando a gestão e a gente fica feliz de saber quantas pessoas foram ajudadas”, celebra.

Janaína comemora ainda as ações realizadas pelo Governo em prol das mulheres, destacando a inauguração da Casa da Mulher Cearense que acontece hoje (8), em Juazeiro do Norte. Sob coordenação da Secretaria da Proteção Social, Cidadania, Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SPS), o equipamento é um local de acolhimento que concentra serviços especializados para atender a mulher em diversos tipos de situações, com equipe composta integralmente também por mulheres.

Espaços como estes contribuem para que as mulheres quebrem ciclos de violência e reforçam a importância dada às políticas públicas direcionadas a esse público no Ceará. “Ainda lutamos contra o machismo e o assédio. Mas acredito muito na nossa força, no nosso trabalho. E acho que a gente precisa de políticas que façam com que a gente possa se mostrar e ter mais oportunidades”, pontua a secretária Carmem Cavalcante.

Na gestão pública, algumas formas para combater as desigualdades sociais se relacionam com a compreensão dessas diferenças, a criação de ações de valor, que apostam em processos educacionais, bem como de ações afirmativas, que verdadeiramente incluem as minorias. É o que explica a professora Zelma, ao falar não só do combate ao machismo como também ao racismo e outros preconceitos: “Isso não é só uma questão superficial, individual e subjetiva. Isso é estrutural. Isso define o desenvolvimento econômico de um país, afetando governos que não contam com a diversidade, com perfis identitários diversos”. Ela defende, ainda, o potencial da educação na formação dessa sociedade diversa: “Vamos educar todos para uma sociedade verdadeiramente democrática, justa, igualitária, com lugar para todo mundo. Só é bom quando tem lugar para todo mundo”.

Dar espaço à contratação de times diversos é um exemplo de ação afirmativa que pode ser realizada nas instituições. Esse é o caso do Íris, que possui uma equipe majoritariamente feminina e trabalha para disseminar uma gestão inovadora em todo o Estado, relacionada diretamente à diversidade. “Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstram que as mulheres chegaram ao patamar de 59% do total de servidores federais, porém ganham em média 24% menos do que os homens. São dados como estes que queremos combater. Não há mais tempo nem espaço para aceitarmos as desigualdades e deixarmos importantes potências sociais de fora do setor público˜, pontua.